A musicalidade da chuva caindo lá fora leva-me a refletir sobre a vida, instiga-me a olhar para dentro do meu próprio eu... Nesse olhar, a angústia que me corrói torna-se mais evidente. Houve outros momentos de aflições, mas, devo falar especificamente deste... Pois meu espelho, nesta noite fria de quinta, não reflete sorriso, ternura ou cores, há um enorme vazio, um vazio angustiante que me sufoca e me faz indagar: em que momento deste dia me perdi?

            A chuva cessou e o silêncio tomou conta da noite, o sono está chegando vagarosamente sem pedir licença; aos poucos, fecho os olhos, que estão anestesiados, envolvo-me num sono profundo e obscuro, sem esperança de cores, apenas um enorme ponto de interrogação preenche o vazio que me cerca.

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Tânia Graciele Belo é mestre em Patrimônio Cultural e Sociedade da Universidade da Região de Joinvile - UNIVILLE.